quarta-feira, 22 de novembro de 2017

Papa sublinha obrigação de participar na Missa ao domingo e construir uma sociedade mais fraterna

Francisco voltou a reclamar atitude diferente de quem vê a Eucaristia como um «espetáculo»

 
O Papa Francisco sublinhou hoje, no Vaticano, que os católicos têm obrigação de participar na Missa ao domingo, com a preocupação de construir uma sociedade mais fraterna.
“Convido-vos a dar um lugar importante na vossa vida à participação na Santa Missa, especialmente ao domingo. Que o Senhor venha ao vosso encontro para dar-vos o seu amor, a fim de que possais partilhá-lo com os vossos irmãos e irmãs”, disse aos milhares de peregrinos reunidos na Praça de São Pedro.
A audiência pública semanal contou com uma nova reflexão do Papa sobre a celebração da Missa, como "memorial do mistério pascal de Cristo", ou seja, não apenas uma "recordação", mas "tornar presente" o que aconteceu há 2 mil anos.
"Quando vamos à Missa é como se fôssemos ao Calvário, o mesmo", referiu.
À imagem do que aconteceu nas duas últimas semanas, o pontífice deixou reparos aos que vivem a celebração eucarística como se estivessem num "espetáculo".
Francisco questionou os presentes sobre qual seria a sua atitude se pudessem estar no Calvário, diante de Jesus: "Pensaríamos em bisbilhotar, tirar fotografias, de fazer uma espécie de espetáculo? Não, porque é Jesus".
"Estaríamos, com certeza, em silêncio, a chorar, também na alegria de sermos salvos. Quando entrarmos na igreja para celebrar a Missa, pensemos nisto: ali dentro, está o Calvário, onde Jesus dá a sua vida por mim. E assim desaparece o espetáculo, a bisbilhotice, os comentários, tudo o que nos afasta desta coisa tão bela que é a Missa", acrescentou.
A reflexão do Papa realçou que a participação no sacramento da Eucaristia representa, para os católicos, entrar na “plenitude da vida” de Cristo.
“Com a Eucaristia, Jesus liberta-nos da morte física e do medo de morrer, bem como da morte espiritual, que é o mal e o pecado”, precisou.
A catequese semanal centrou-se nesta dimensão pascal da Missa, na passagem da morte para a vida, e na necessidade de amar a Deus e ao próximo.
“Recebamos muitas vezes o Senhor na Santa Comunhão, adoremo-lo nos tabernáculos e nos nossos corações. Sirvamo-lo nos nossos irmãos, para construir juntamente com eles uma nova comunidade humana, mais justa e fraterna”, pediu Francisco.
Francisco evocou ainda a celebração da memória litúrgica de Santa Cecília, mártir, e disse que os mártires deram a sua vida, em nome da fé, porque tinham a "certeza" da vitória de Cristo sobre a morte.
“Rezemos todos a Santa Cecília, para que nos ensine a cantar com o coração, que nos ensine o júbilo de termos sido salvos”, acrescentou, recordando a padroeira dos músicos.
O Papa deixou uma saudação particular aos peregrinos de língua portuguesa: “Convido-vos a olhar com confiança o vosso futuro em Deus, levando o fogo do seu amor ao mundo. É a graça da Páscoa que frutifica na Eucaristia e que desejo abundante nas vossas vidas, famílias e comunidades. De bom grado, vos abençoo a vós e aos vossos entes queridos”.
agência ecclesia

domingo, 19 de novembro de 2017

Centro Paroquial: Grades e Festa da Catequese

Ver  aqui

Dia Mundial dos Pobres. Parabéns, Paróquia de S. Pedro de Tarouca!

Foto de Carlos Lopes.
19 de novembro, Dia Mundial dos Pobres, instituído pelo Papa Francisco.
Sendo a CARIDADE o tema do nosso Plano Pastoral, o Conselho Pastoral decidiu inscrever no Plano Pastoral a celebração do Dia dos Pobres com recolha de víveres, roupa e brinquedos, como forma de a comunidade mostrar a sua solidariedade para com os mais carenciados, tendo as vítimas dos incêndios como preocupação principal.
Atempadamente o pároco explicou e enquadrou as atividades deste dia, quer nas Eucaristias dominicais quer através do jornal e da internet.
A adesão das pessoas foi admirável, excedendo todas as espectativas. Muita, muita generosidade!
Inicialmente previra-se a recolha dos objetos acima referidos nas Missas de sábado e domingo, mas logo se deu conta que tal era incomportável face à onde de generosidade em toda a paróquia. Em cada povo, as pessoas organizaram-se e encontraram um ponto de recolha, mantendo-se, claro, a Igreja Paroquial como  um ponto de receção.
Alimentos  muito diversificados - houve quem oferecesse dezenas e dezenas de  quilos de batatas -, fartura de roupas e agasalhos, imensos brinquedos. Tudo trazia a marca do carinho e da delicadeza para com os pobres, até na maneira como foram apresentados os donativos.
Tendo em conta a Mensagem do Papa Francisco para o Dia Mundial dos Pobres, em todas as Eucaristias deste fim de semana, as várias admonições, o momento penitencial, o cortejo de oferendas, os cânticos, o gesto do Pai Nosso procuram ajudar a comunidade a viver e a sentir a caridade para que  “Não amemos com palavras, mas com obras.”
O GASPTA (Grupo sócio-caritativo da Paróquia de Tarouca) está agora a recolher, organizar e tratar os donativos para que sigam o mais rapidamente possível em direção dos necessitados, de modo especial as vítimas dos incêndios.
Muitos parabéns às pessoas desta comunidade paroquial. Foram pura e simplesmente fantásticas! Obrigado, em nome dos pobres.
Os nossos sinceros agradecimentos a quem colaborou na dinamização a nível de cada povo, a quem cedeu instalações, aos que ajudaram no transporte, aos agentes pastorais que deram o seu melhor para a vivência das Eucaristias.
Obrigado ao GASPTA por todo o empenho nesta ação caritativa.
Foi uma memorável celebração da Caridade!

quinta-feira, 16 de novembro de 2017

Depois dos telemóveis, o Papa pede fim de conversas e bisbilhotice durante a Missa



O Papa Francisco voltou  a criticar comportamentos que fazem da Missa um “espetáculo” e, depois de há uma semana ter pedido o fim dos telemóveis na celebração, apelou esta manhã ao silêncio na assembleia.
“Quando vamos à Missa, às vezes chegamos cinco minutos mais cedo e começamos a bisbilhotar com quem está ao nosso lado. Mas não é o momento de bisbilhotar, é o momento do silêncio para preparar-se para o diálogo, é o momento de recolher-se no coração para preparar o encontro com Jesus”, apelou, na segunda catequese do novo ciclo de reflexões semanais sobre a Eucaristia.
Perante milhares de pessoas reunidas na Praça de São Pedro, o Papa sublinhou que o silêncio é “muito importante nas celebrações litúrgicas”.
“Lembrem-se daquilo que vos disse na semana passada: não vamos para um espetáculo, vamos para o encontro com o Senhor e o silêncio prepara-nos e acompanha-nos. Permanecer em silêncio junto de Jesus”, recomendou.
Francisco falou da Missa como “a oração por excelência, a mais elevada”, um “momento privilegiado para estar com Jesus, e por meio dele, com Deus e com os irmãos”.
"Jesus ensina os seus discípulos a rezar a oração do Pai Nosso e, com ela, introdu-los no diálogo sincero e simples com Deus, animando-os a criar neles uma consciência filial, sabendo dizer ‘Pai’", assinalou.
No final da audiência geral, o Papa dirigiu uma saudação a todos os peregrinos de língua portuguesa, vindos de Portugal e do Brasil.
“Queridos amigos, sois chamados a ser testemunhas da alegria no mundo, transfigurados pela graça misericordiosa que Jesus nos dá na Santa Missa. Desça sobre vós e sobre vossas famílias a bênção de Deus”, concluiu.
Agência Ecclesia

segunda-feira, 13 de novembro de 2017

domingo, 12 de novembro de 2017

Mensagem de D. António Couto para a Semana dos Seminários 2017


  1. Acabados de sair da celebração do centenário das aparições de Nossa Senhora em Fátima, mas sem perder de vista a figura tutelar de Maria, eis-nos já outra vez à entrada da Semana dos Seminários que, neste ano da graça de 2017, se celebra de 12 a 19 de novembro, e surge subordinada ao tema «Fazei o que Ele vos disser».
  1. Trata-se de um dizer de Mãe atenta, da Mãe de Jesus que, no decurso das bodas de Caná e numa situação de falta de vinho, que afetaria negativamente o andamento da festa, indica aos serventes (diákonoi), isto é, aos discípulos de ontem e de hoje, a quem devem estar atentos, para quem devem olhar, a quem devem escutar, que ordens devem cumprir, É claro que ela fala para os discípulos, mas aponta para Jesus, em quem devem pôr toda a atenção, porque é Ele que tem a solução para aquele problema e para todos os problemas.
  1. Estava lá a «Mãe de Jesus», a quem Jesus trata por «Mulher», para a vincular à Mulher da esperança, esposa de Deus e mãe dos filhos de Deus, que atravessa em contraluz a Escritura inteira. E estavam lá também «seis talhas», grandes e vazias, que representam o velho judaísmo e os seus rituais de purificação, tudo vazio, à espera do tempo novo da realização da esperança. Mãe e Mulher da esperança, talhas vazias, mas que, por ordem de Jesus, os serventes, os discípulos, encherão de esperança até ao cimo, até transbordar. É delas que, dando cumprimento às ordens novas de Jesus, jorrará o vinho novo e bom, até agora guardado para nós. Tempo novo e pleno do Amor de Deus, que manda agora servir o banquete de carnes suculentas e vinhos deliciosos, já anunciado em Isaías 25,6. É claro que o «chefe-se-mesa», que representa o velho e vazio judaísmo não podia compreender «de onde» vinha este vinha novo. Nem o noivo antigo. A quem se dirige. Só o sabem o Noivo novo, que é Jesus, e os seus discípulos ou serventes.
  1. Aí está então o banquete Novo, Bom e Último do Reino de Deus, com o Vinho Bom e Último, até agora guardado na esperança, e que é agora cuidadosamente servido. É sabido que a tradição judaica descrevia com muito vinho o tempo da vinda do Messias, referindo que, nesse tempo, cada videira teria mil ramos, cada ramo mil cachos, cada cacho mil bagos, cada bago daria 460 litros de vinho! Que saber e sabor é o nosso? Sabemos e saboreamos a Alegria do Banquete nupcial? Servimos para servir este Amor, esta Alegria? Não esqueçamos que é este o «terceiro Dia!» (João 2,1), que agrafa esta Alegria à Alegria nova da Ressurreição ao «terceiro Dia», «sinal» para a Glória e para a Fé (João 2,11). E os serventes são os discípulos, cuja missão é servir esta Alegria.
  1. É para preparar estes serventes ou discípulos que servem os nossos Seminários. E esta semana, de 12 a 19 de novembro, serve para voltarmos os nossos corações para os nossos Seminários, e para pedirmos ao nosso bom Deus, Senhor do banquete e do vinho novo da Alegria, e a Jesus, o Noivo novo, que faz jorrar o vinho novo e bom, e a Maria, Mãe de Jesus e nossa Mãe, que olhem para os nossos seminaristas com particular desvelo, e os «arrastem com carinho» (cf. Jeremias 31,3; João 6,44) pela vida fora.
  1. Os nossos seminaristas frequentam, de momento, o Seminário de Lamego e o Seminário Interdiocesano de S. José, sediado em Braga, para possibilitar aos nossos Seminaristas poder frequentar a Faculdade de Teologia da Universidade Católica.
  1. Lembro ainda que estão a decorrem obras no nosso Seminário de Lamego, para podermos também transformar alguns dos seus espaços numa casa aberta e acolhedora, capaz de oferecer aos fiéis leigos da nossa Diocese mais e melhores tempos de formação, convívio e oração.
  1. Enquanto erguemos o nosso coração em oração até este Pai bom misericordioso, levando até ao coração de Deus os nossos seminaristas, peçamos-lhe também, com insistência, por intercessão de Maria, nossa Mãe sempre atenta, que «arraste» outros jovens para os nossos Seminários, para que amanhã não nos faltem os sacerdotes de que necessitamos para servir da melhor maneira o vinho nova da Alegria ao Povo de Deus da nossa Diocese de Lamego e da Igreja inteira.
  1. Peço, então, uma vez mais que, sendo generosos na oração, o sejamos também na dádiva de nós próprios, concretizada no Ofertório de Domingo, dia 19, que será destinado, na sua inteireza, para as necessidades dos nossos Seminários que, neste tempo, servem, não apenas os seminaristas, mas também os fiéis leigos. Isto é, servem o Povo de Deus.

Que Deus nos abençoe e guarde em cada dia, e faça frutificar o labor dos nossos Seminários.
Lamego, 1 de novembro de 2017, Solenidade de Todos os Santos
+ António, vosso bispo e irmão
Fonte: aqui

A todos os Convivas!


Festa de São Martinho 2017, Esporões

Festas em honra de São Martinho, padroeiro da povoação dos Esporões.
Nesta altura do ano, as festas são poucas por estas bandas, daí decorre que, caso o tempo colabore, muita gente acorra aos festejos. O tempo não obstaculizou  o desenrolar dos festejos que correram bem, em paz, alegria,  com são convívio entre as gentes.
Se em 11 de Novembro, dia litúrgico de São Martinho, houve Eucaristia na Capela, em 12 do mesmo mês teve lugar a Missa solene e a  procissão.
Parabéns à povoação e aos mordomos pela forma como decorreram as festas. 
Comissão de Festas - São Martinho 2018
Juiz - José Martins Silva; Secretário - José Filipe Silva; Tesoureiro - Tânia Cardoso; Mordomos: Marco António Fraga; Daniela Sofia Cardoso; Acácio Filipe Carvalho Martins; Rute Raquel Silva Cardoso; Francisco Loureiro; Fernando Oliveira; Lucílio Loureiro; Inês Lopes Ribeiro
 
CEGADA
Não sabe o que é? Veja aqui. Ou então para o ano procure aparecer nos Esporões na noite do dia 10 de novembro.
A povoação dos Esporões conserva esta antiquíssima tradição que envolve a participação de muitos dos seus habitantes.
Depois do cortejo pela rua, termina numa "assembleia" em que chega, vestido a rigor, "Sua Eminência" que faz o aguardado "discurso de cariz satirizante". Em seguida, a "fraternidade de São Marinho" recita os mandamentos enquanto um irmão-mor bebe um copo a cada um deles. Só que os "mandamentos" não são estáveis, tendem a aumentar, de acordo com o apetite do bebedor...
Uma festa bonita em que o povo faz a festa em vez de consumir festa...

sábado, 11 de novembro de 2017

11 de novembro - Magusto da Catequese Paroquial

Maravilha ver os pequenos a atirar-se às castanhas, quentinhas e boas, com unhas e dentes.
Bom ver a presença de pais.
Belo sentir a presença solícita dos catequistas.
Exemplar o serviço e dedicação da Junta de Freguesia e seus funcionários não só na oferta e preparação do magusto, como no serviço às pessoas durante o mesmo magusto.
Mas as crianças... As crianças merecem tudo. Elas são o encanto da comunidade.

sexta-feira, 10 de novembro de 2017

12 a 19 de novembro - SEMANA DOS SEMINÁRIOS

Estamos a iniciar a Semana de Oração pelos Seminários. Não é fácil apelar às novas gerações para a beleza da vida sacerdotal, num ambiente cultural carregado de estímulos eróticos, em que a fidelidade a um tal propósito exige um alto grau de maturidade humana! Neste tempo, em que se perdeu a dimensão do eterno e do definitivo, o celibato provocará sempre desconfiança e desconforto! Mas a solução não será a simples revogação ou adaptação às modas e modos deste tempo. Porque a crise do celibato, que é notícia até pela sua raridade, não é menor do que a crise do matrimónio, numa cultura adversa a um amor definitivo e exclusivo. Não se resolvem as dificuldades do celibato com o casamento, porque, também na relação conjugal, é alto o preço da fidelidade e permanente o risco da infidelidade. O coração humano, como órgão espiritual, precisa de cuidados intermédios, contínuos e intensivos
Movidos pelo amor de Deus, permaneçamos vigilantes perante os riscos e atentos ao Senhor, que vem de repente ao nosso encontro e nos pede prontidão na resposta! Que não nos falte o azeite na candeia acesa da fé e da esperança, nem o vinho novo da alegria, na ânfora inesgotável do amor! Que entre os padres e os casais cristãos haja estima e ajuda recíprocas. Que as nossas famílias despertem o coração dos seus filhos para a alegria de uma resposta pronta ao Senhor. Ele vem para a todos desposar no Seu amor. Digamos “sim” e “estaremos para sempre com o Senhor(cf. 1 Ts 4,17).

quinta-feira, 9 de novembro de 2017

12 Novembro 2017 – 32º Domingo do Tempo Comum – Ano A

Leituras: aqui

De novo, o amigo Sopé da Montanha

Está a chegar o último nº do Sopé da Montanha.
Muitos e variados assuntos.
Realça-se apenas um: o Plano Pastoral da Paróquia, aprovado pelo Conselho Pastoral que analisou ainda o último Plano Pastoral. Tudo no seu jornal.
 
Compre, assine, leia e divulgue o Sopé da Montanha.

quarta-feira, 8 de novembro de 2017

Uma Europa que se devora a si mesma

Petição para manter cruz em estátua de João Paulo II já tem 70 mil subscritores
Estátua de João Paulo II, em Ploërmel. Conselho de Estado quer que seja retirada a cruz. Foto: DR
O conselho de Estado francês ordenou que fosse removida uma cruz que integra uma estátua de João Paulo II. A Polónia já se ofereceu para ficar com o monumento.
Pelo menos 70 mil pessoas já assinaram uma petição que visa manter uma cruz na estátua do Papa João Paulo II, numa vila na Bretanha, em França.
A petição, que foi lançada pelo grupo CitizenGo, pede às autoridades que respeitem “as raízes cristâs da Europa”, e deixem ficar a estátua de João Paulo II tal como está, numa praça em Ploërmel, uma pequena vila na Bretanha com cerca de 10 mil habitantes.
O documento é dirigido ao Parlamento Europeu, aos deputados do PPE – o Partido Popular Europeu – e também ao Tribunal Europeu dos Direitos do Homem.
A ordem para remover a cruz daquela estátua foi dada pelo Conselho de Estado francês, a mais importante instância judicial administrativa do país, por considerar que aquele símbolo religioso “não respeita” as leis em vigor de separação entre Igreja e Estado. Foi dado um prazo de seis meses para que o Executivo local cumpra esta decisão.
Desde que foi inaugurada, em 2006, que a estátua é alvo de protestos. A imagem foi encomendada ao escultor russo Zourab Tsereteli pelo então presidente da autarquia, Paul Anselin, mas um grupo de cidadãos recorreu logo nessa altura para os tribunais, invocando que a estátua com a cruz, colocada num lugar público, violava a lei de 1905 que decreta a separação de poderes entre a Igreja e o Estado francês.
O artigo 28 dessa lei proíbe “erguer ou colocar qualquer sinal ou emblema religioso sobre monumentos públicos ou num espaço público”, com a excepção de “edifícios religiosos, terrenos de sepulturas nos cemitérios, monumentos funerários e museus ou exposições”.
O caso está a indignar parte da opinião pública francesa, e não só. As autoridades da Polónia já se propuseram a “salvar” a estátua, tal como está, levando-a para a terra natal de São João Paulo II.
Para além da petição foram já lançadas outras iniciativas como a que pede às pessoas que mostrem nas redes sociais outras cruzes existentes no espaço público europeu, compartilhando essas fotos com o hashtag #MontreTaCroix (mostra a tua cruz).
A estátua de São João Paulo II tem inscrita a frase que ficou famosa logo após a sua primeira aparição em público quando foi eleito como Papa: “não tenhais medo”.
Fonte: aqui

terça-feira, 7 de novembro de 2017

Mas como podemos, concretamente, ajudar os nossos irmãos que sofrem no Purgatório?


O mês de Novembro é chamado de «mês das almas», uma vez que é tradicionalmente dedicado às Almas do Purgatório. Depois de ter celebrado a festa de Todos os Santos no dia 1, a Igreja lembra, no dia 2 e durante o mês Novembro, todos os fiéis que já partiram deste mundo e que ainda não estão na glória de Deus.

Por vezes, a existência do Purgatório causa estranheza em muitos de nós. Mas a Igreja lembra-nos que a realidade desta purificação é necessária e muito proveitosa para os que lá se encontram e para quem reza por eles.

Rezar pelas almas que esperam ver-se livres das suas faltas para entrarem no Paraíso, é uma verdadeira obra de caridade, pois elas já nada podem por si mesmas. E este acto de caridade podemos e devemos tê-lo para com os nossos familiares, amigos, conhecidos e até para com pessoas anónimas que esperam uma Missa, uma esmola, uma oração que alivie os seus sofrimentos no Purgatório.

Segundo nos ensina o Catecismo da Igreja Católica, passam por este fogo "os que morrem na graça e na amizade de Deus, mas não estão perfeitamente purificados". Portanto, as almas que estão no Purgatório fazem parte da mesma Igreja Católica e beneficiam de modo especial da Comunhão dos Santos, pela qual a Igreja Militante (os católicos que ainda vivem na Terra) pode pedir a intercessão à Igreja Triunfante (os Santos do Céu) e pode também  aliviar as penas da Igreja Padecente (os irmãos que estão no Purgatório).

Mas será Deus tão rigoroso assim, a ponto de não tolerar nem mesmo a menor imperfeição, limpando-a com penas severas? Esta pergunta facilmente pode vir à nossa mente. Em primeiro lugar, devemos lembrar-nos desta verdade: depois da nossa morte, não seremos julgados segundo nossos próprios critérios, mas segundo a Lei de Deus. Estaremos diante de um Juiz sumamente santo e perfeito e no seu Reino "não entrará nada de impuro" (Ap 21, 27).

Que faltas serão purificadas nesse lugar?  São os restos do apego exagerado à vida terrena e às criaturas, ou seja, as imperfeições, os pecados veniais, bem como a dívida dos pecados mortais já perdoados no Sacramento da Confissão. Estas imperfeições afastam-nos do Mandamento de amar a Deus sobre todas as coisas.

As almas do Purgatório têm a certeza da salvação. Cabe-nos a nós, que ainda caminhamos neste mundo, ajudá-las a serem admitidas o quanto antes à presença de Deus, pedindo-Lhe que lhes dê o descanso eterno e que perdoe, pela Sua misericórdia, as faltas que as impedem de O contemplar.

Mas como podemos, concretamente, ajudar estes nossos irmãos que sofrem no Purgatório?

A oração mais útil para eles é a Santa Missa, com todos os seus méritos, que são os mesmos que Jesus obteve para nós na cruz. Mandar celebrar uma Missa pela alma de um familiar ou amigo é a maneira mais eficaz de aliviar o sofrimento de uma alma.

Depois o ganho de indulgências segundo as disposições das Igreja. Muito útil para as almas são também os sacrifícios e as orações dos fiéis vivos, como  a oração do Terço, do Angelus, as jaculatórias pelos defuntos e, por fim, a esmola e o jejum.

Durante este mês de Novembro, lembremo-nos especialmente destas almas, muitas delas abandonadas, sem terem quem se lembre e reze por elas, e rezemos pelo menos uma oração ao final do dia por elas. Quando estiverem no Paraíso, não esquecerão aqueles que as ajudaram a chegar ao Céu.  E nós, que continuamos na Terra, ganharemos mais intercessores junto de Deus.

segunda-feira, 6 de novembro de 2017

Mensagem do Papa para o Dia Mundial dos Pobres


 (XXXIII Domingo do Tempo Comum – 19 de novembro de 2017)
Tema: «Não amemos com palavras, mas com obras»
1. «Meus filhinhos, não amemos com palavras nem com a boca, mas com obras e com verdade» (1 Jo 3, 18). Estas palavras do apóstolo João exprimem um imperativo de que nenhum cristão pode prescindir. A importância do mandamento de Jesus, transmitido pelo «discípulo amado» até aos nossos dias, aparece ainda mais acentuada ao contrapor as palavras vazias, que frequentemente se encontram na nossa boca, às obras concretas, as únicas capazes de medir verdadeiramente o que valemos. O amor não admite álibis: quem pretende amar como Jesus amou, deve assumir o seu exemplo, sobretudo quando somos chamados a amar os pobres. Aliás, é bem conhecida a forma de amar do Filho de Deus, e João recorda-a com clareza. Assenta sobre duas colunas mestras: o primeiro a amar foi Deus (cf. 1 Jo 4, 10.19); e amou dando-Se totalmente, incluindo a própria vida (cf. 1 Jo 3, 16).
Um amor assim não pode ficar sem resposta. Apesar de ser dado de maneira unilateral, isto é, sem pedir nada em troca, ele abrasa de tal forma o coração, que toda e qualquer pessoa se sente levada a retribuí-lo não obstante as suas limitações e pecados. Isto é possível, se a graça de Deus, a sua caridade misericordiosa, for acolhida no nosso coração a pontos de mover a nossa vontade e os nossos afetos para o amor ao próprio Deus e ao próximo. Deste modo a misericórdia, que brota por assim dizer do coração da Trindade, pode chegar a pôr em movimento a nossa vida e gerar compaixão e obras de misericórdia em prol dos irmãos e irmãs que se encontram em necessidade.
2. «Quando um pobre invoca o Senhor, Ele atende-o» (Sal 34/33, 7). A Igreja compreendeu, desde sempre, a importância de tal invocação. Possuímos um grande testemunho já nas primeiras páginas do Atos dos Apóstolos, quando Pedro pede para se escolher sete homens «cheios do Espírito e de sabedoria» (6, 3), que assumam o serviço de assistência aos pobres. Este é, sem dúvida, um dos primeiros sinais com que a comunidade cristã se apresentou no palco do mundo: o serviço aos mais pobres. Tudo isto foi possível, por ela ter compreendido que a vida dos discípulos de Jesus se devia exprimir numa fraternidade e numa solidariedade tais, que correspondesse ao ensinamento principal do Mestre que tinha proclamado os pobres bem-aventurados e herdeiros do Reino dos céus (cf. Mt 5, 3).
«Vendiam terras e outros bens e distribuíam o dinheiro por todos, de acordo com as necessidades de cada um» (At 2, 45). Esta frase mostra, com clareza, como estava viva nos primeiros cristãos tal preocupação. O evangelista Lucas – o autor sagrado que deu mais espaço à misericórdia do que qualquer outro – não está a fazer retórica, quando descreve a prática da partilha na primeira comunidade. Antes pelo contrário, com a sua narração, pretende falar aos fiéis de todas as gerações (e, por conseguinte, também à nossa), procurando sustentá-los no seu testemunho e incentivá-los à ação concreta a favor dos mais necessitados. E o mesmo ensinamento é dado, com igual convicção, pelo apóstolo Tiago, usando expressões fortes e incisivas na sua Carta: «Ouvi, meus amados irmãos: porventura não escolheu Deus os pobres segundo o mundo para serem ricos na fé e herdeiros do Reino que prometeu aos que O amam? Mas vós desonrais o pobre. Porventura não são os ricos que vos oprimem e vos arrastam aos tribunais? (…) De que aproveita, irmãos, que alguém diga que tem fé, se não tiver obras de fé? Acaso essa fé poderá salvá-lo? Se um irmão ou uma irmã estiverem nus e precisarem de alimento quotidiano, e um de vós lhes disser: “Ide em paz, tratai de vos aquecer e matar a fome”, mas não lhes dais o que é necessário ao corpo, de que lhes aproveitará? Assim também a fé: se ela não tiver obras, está completamente morta» (2, 5-6.14-17).
3. Contudo, houve momentos em que os cristãos não escutaram profundamente este apelo, deixando-se contagiar pela mentalidade mundana. Mas o Espírito Santo não deixou de os chamar a manterem o olhar fixo no essencial. Com efeito, fez surgir homens e mulheres que, de vários modos, ofereceram a sua vida ao serviço dos pobres. Nestes dois mil anos, quantas páginas de história foram escritas por cristãos que, com toda a simplicidade e humildade, serviram os seus irmãos mais pobres, animados por uma generosa fantasia da caridade!
Dentre todos, destaca-se o exemplo de Francisco de Assis, que foi seguido por tantos outros homens e mulheres santos, ao longo dos séculos. Não se contentou com abraçar e dar esmola aos leprosos, mas decidiu ir a Gúbio para estar junto com eles. Ele mesmo identificou neste encontro a viragem da sua conversão: «Quando estava nos meus pecados, parecia-me deveras insuportável ver os leprosos. E o próprio Senhor levou-me para o meio deles e usei de misericórdia para com eles. E, ao afastar-me deles, aquilo que antes me parecia amargo converteu-se para mim em doçura da alma e do corpo» (Test 1-3: FF 110). Este testemunho mostra a força transformadora da caridade e o estilo de vida dos cristãos.
Não pensemos nos pobres apenas como destinatários duma boa obra de voluntariado, que se pratica uma vez por semana, ou, menos ainda, de gestos improvisados de boa vontade para pôr a consciência em paz. Estas experiências, embora válidas e úteis a fim de sensibilizar para as necessidades de tantos irmãos e para as injustiças que frequentemente são a sua causa, deveriam abrir a um verdadeiro encontro com os pobres e dar lugar a uma partilha que se torne estilo de vida. Na verdade, a oração, o caminho do discipulado e a conversão encontram, na caridade que se torna partilha, a prova da sua autenticidade evangélica. E deste modo de viver derivam alegria e serenidade de espírito, porque se toca palpavelmente a carne de Cristo. Se realmente queremos encontrar Cristo, é preciso que toquemos o seu corpo no corpo chagado dos pobres, como resposta à comunhão sacramental recebida na Eucaristia. O Corpo de Cristo, repartido na sagrada liturgia, deixa-se encontrar pela caridade partilhada no rosto e na pessoa dos irmãos e irmãs mais frágeis. Continuam a ressoar de grande atualidade estas palavras do santo bispo Crisóstomo: «Queres honrar o corpo de Cristo? Não permitas que seja desprezado nos seus membros, isto é, nos pobres que não têm que vestir, nem O honres aqui no tempo com vestes de seda, enquanto lá fora O abandonas ao frio e à nudez» (Hom. in Matthaeum, 50, 3: PG 58).
Portanto somos chamados a estender a mão aos pobres, a encontrá-los, fixá-los nos olhos, abraçá-los, para lhes fazer sentir o calor do amor que rompe o círculo da solidão. A sua mão estendida para nós é também um convite a sairmos das nossas certezas e comodidades e a reconhecermos o valor que a pobreza encerra em si mesma.
4. Não esqueçamos que, para os discípulos de Cristo, a pobreza é, antes de tudo, uma vocação a seguir Jesus pobre. É um caminhar atrás d’Ele e com Ele: um caminho que conduz à bem-aventurança do Reino dos céus (cf. Mt 5, 3; Lc 6, 20). Pobreza significa um coração humilde, que sabe acolher a sua condição de criatura limitada e pecadora, vencendo a tentação de omnipotência que cria em nós a ilusão de ser imortal. A pobreza é uma atitude do coração que impede de conceber como objetivo de vida e condição para a felicidade o dinheiro, a carreira e o luxo. Mais, é a pobreza que cria as condições para assumir livremente as responsabilidades pessoais e sociais, não obstante as próprias limitações, confiando na proximidade de Deus e vivendo apoiados pela sua graça. Assim entendida, a pobreza é o metro que permite avaliar o uso correto dos bens materiais e também viver de modo não egoísta nem possessivo os laços e os afetos (cf. Catecismo da Igreja Católica, n. 2545).
Assumamos, pois, o exemplo de São Francisco, testemunha da pobreza genuína. Ele, precisamente por ter os olhos fixos em Cristo, soube reconhecê-Lo e servi-Lo nos pobres. Por conseguinte, se desejamos dar o nosso contributo eficaz para a mudança da história, gerando verdadeiro desenvolvimento, é necessário escutar o grito dos pobres e comprometermo-nos a erguê-los do seu estado de marginalização. Ao mesmo tempo recordo, aos pobres que vivem nas nossas cidades e nas nossas comunidades, para não perderem o sentido da pobreza evangélica que trazem impresso na sua vida.
5. Sabemos a grande dificuldade que há, no mundo contemporâneo, para se poder identificar claramente a pobreza. E todavia esta interpela-nos todos os dias com os seus inúmeros rostos vincados pelo sofrimento, a marginalização, a opressão, a violência, as torturas e a prisão, pela guerra, a privação da liberdade e da dignidade, pela ignorância e o analfabetismo, pela emergência sanitária e a falta de trabalho, pelo tráfico de pessoas e a escravidão, pelo exílio e a miséria, pela migração forçada. A pobreza tem o rosto de mulheres, homens e crianças explorados para vis interesses, espezinhados pelas lógicas perversas do poder e do dinheiro. Como é impiedoso e nunca completo o elenco que se é constrangido a elaborar à vista da pobreza, fruto da injustiça social, da miséria moral, da avidez de poucos e da indiferença generalizada!
Infelizmente, nos nossos dias, enquanto sobressai cada vez mais a riqueza descarada que se acumula nas mãos de poucos privilegiados, frequentemente acompanhada pela ilegalidade e a exploração ofensiva da dignidade humana, causa escândalo a extensão da pobreza a grandes sectores da sociedade no mundo inteiro. Perante este cenário, não se pode permanecer inerte e, menos ainda, resignado. À pobreza que inibe o espírito de iniciativa de tantos jovens, impedindo-os de encontrar um trabalho, à pobreza que anestesia o sentido de responsabilidade, induzindo a preferir a abdicação e a busca de favoritismos, à pobreza que envenena os poços da participação e restringe os espaços do profissionalismo, humilhando assim o mérito de quem trabalha e produz: a tudo isso é preciso responder com uma nova visão da vida e da sociedade.
Todos estes pobres – como gostava de dizer o Beato Paulo VI – pertencem à Igreja por «direito evangélico» (Discurso de abertura na II Sessão do Concílio Ecuménico Vaticano II, 29/IX/1963) e obrigam à opção fundamental por eles. Por isso, benditas as mãos que se abrem para acolher os pobres e socorrê-los: são mãos que levam esperança. Benditas as mãos que superam toda a barreira de cultura, religião e nacionalidade, derramando óleo de consolação nas chagas da humanidade. Benditas as mãos que se abrem sem pedir nada em troca, sem «se» nem «mas», nem «talvez»: são mãos que fazem descer sobre os irmãos a bênção de Deus.
6. No termo do Jubileu da Misericórdia, quis oferecer à Igreja o Dia Mundial dos Pobres, para que as comunidades cristãs se tornem, em todo o mundo, cada vez mais e melhor sinal concreto da caridade de Cristo pelos últimos e os mais carenciados. Quero que, aos outros Dias Mundiais instituídos pelos meus Antecessores e sendo já tradição na vida das nossas comunidades, se acrescente este, que completa o conjunto de tais Dias com um elemento requintadamente evangélico, isto é, a predileção de Jesus pelos pobres.
Convido a Igreja inteira e os homens e mulheres de boa vontade a fixar o olhar, neste dia, em todos aqueles que estendem as suas mãos invocando ajuda e pedindo a nossa solidariedade. São nossos irmãos e irmãs, criados e amados pelo único Pai celeste. Este Dia pretende estimular, em primeiro lugar, os crentes, para que reajam à cultura do descarte e do desperdício, assumindo a cultura do encontro. Ao mesmo tempo, o convite é dirigido a todos, independentemente da sua pertença religiosa, para que se abram à partilha com os pobres em todas as formas de solidariedade, como sinal concreto de fraternidade. Deus criou o céu e a terra para todos; foram os homens que, infelizmente, ergueram fronteiras, muros e recintos, traindo o dom originário destinado à humanidade sem qualquer exclusão.
7. Desejo que, na semana anterior ao Dia Mundial dos Pobres – que este ano será no dia 19 de novembro, XXXIII domingo do Tempo Comum –, as comunidades cristãs se empenhem na criação de muitos momentos de encontro e amizade, de solidariedade e ajuda concreta. Poderão ainda convidar os pobres e os voluntários para participarem, juntos, na Eucaristia deste domingo, de modo que, no domingo seguinte, a celebração da Solenidade de Nosso Senhor Jesus Cristo Rei do Universo resulte ainda mais autêntica. Na verdade, a realeza de Cristo aparece em todo o seu significado precisamente no Gólgota, quando o Inocente, pregado na cruz, pobre, nu e privado de tudo, encarna e revela a plenitude do amor de Deus. O seu completo abandono ao Pai, ao mesmo tempo que exprime a sua pobreza total, torna evidente a força deste Amor, que O ressuscita para uma vida nova no dia de Páscoa.
Neste domingo, se viverem no nosso bairro pobres que buscam proteção e ajuda, aproximemo-nos deles: será um momento propício para encontrar o Deus que buscamos. Como ensina a Sagrada Escritura (cf. Gn 18, 3-5; Heb 13, 2), acolhamo-los como hóspedes privilegiados à nossa mesa; poderão ser mestres, que nos ajudam a viver de maneira mais coerente a fé. Com a sua confiança e a disponibilidade para aceitar ajuda, mostram-nos, de forma sóbria e muitas vezes feliz, como é decisivo vivermos do essencial e abandonarmo-nos à providência do Pai.
8. Na base das múltiplas iniciativas concretas que se poderão realizar neste Dia, esteja sempre a oração. Não esqueçamos que o Pai Nosso é a oração dos pobres. De facto, o pedido do pão exprime o abandono a Deus nas necessidades primárias da nossa vida. Tudo o que Jesus nos ensinou com esta oração exprime e recolhe o grito de quem sofre pela precariedade da existência e a falta do necessário. Aos discípulos que Lhe pediam para os ensinar a rezar, Jesus respondeu com as palavras dos pobres que se dirigem ao único Pai, em quem todos se reconhecem como irmãos. O Pai Nosso é uma oração que se exprime no plural: o pão que se pede é «nosso», e isto implica partilha, comparticipação e responsabilidade comum. Nesta oração, todos reconhecemos a exigência de superar qualquer forma de egoísmo, para termos acesso à alegria do acolhimento recíproco.
9. Aos irmãos bispos, aos sacerdotes, aos diáconos – que, por vocação, têm a missão de apoiar os pobres –, às pessoas consagradas, às associações, aos movimentos e ao vasto mundo do voluntariado, peço que se comprometam para que, com este Dia Mundial dos Pobres, se instaure uma tradição que seja contribuição concreta para a evangelização no mundo contemporâneo.
Que este novo Dia Mundial se torne, pois, um forte apelo à nossa consciência crente, para ficarmos cada vez mais convictos de que partilhar com os pobres permite-nos compreender o Evangelho na sua verdade mais profunda. Os pobres não são um problema: são um recurso de que lançar mão para acolher e viver a essência do Evangelho.
Vaticano, Memória de Santo António de Lisboa,
13 de junho de 2017.
Franciscus

sexta-feira, 3 de novembro de 2017

5 Novembro 2017 – 31º Domingo do Tempo Comum – Ano A

Leituras: aqui

O Vídeo do Papa 11-2017 – Testemunhar o Evangelho na Ásia – Novembro 2017


⇒ INTENÇÃO PELA EVANGELIZAÇÃO
Pelos cristãos na Ásia, para que, testemunhando o Evangelho com palavras e obras, favoreçam o diálogo, a paz e a compreensão recíproca, sobretudo com aqueles que pertencem a outras religiões.
⇒ DESAFIOS PARA O MÊS
Rezar pelos cristãos na Ásia, em particular nos países em que são minorias, para que lhes seja sempre reconhecida a liberdade religiosa e a paz.
Procurar conhecer melhor a realidade do Cristianismo na Ásia, a sua diversidade e riqueza, em particular o entusiasmo evangélico destas Igrejas mais jovens.
No próprio ambiente, procurar conhecer pessoas de tradições religiosas diferentes, conhecer os seus hábitos, ações e estabelecer boas relações, que levem a alguma cooperação para bem da sociedade.
⇒ ORAÇÃO
Deus, nosso Pai,
que nos ensinas a viver a fé
na coerência entre as nossas palavras e as nossas obras,
entre aquilo que professamos e aquilo que vivemos.
Ajuda-nos a viver radicalmente o espírito do Pai-Nosso,
em que nos damos conta que todos somos irmãos
e, por isso, convidados à partilha e ao diálogo.
Neste mês em particular,
pedimos-te pelos cristãos na Ásia,
que em muitos países são uma minoria,
para que sejam sempre criadores de pontes
entre as diversas tradições religiosas nas sociedades em que vivem,
testemunhando a caridade do Evangelho através da sua vida.
Fonte: aqui

Como nos comportarmos nos velórios, Missa de Corpo Presente e nos funerais?


-  Ao choro de Marta pela morte do irmão Lázaro, Jesus contrapõe a luz da fé e a esperança no amor mais forte do que a morte: «Eu sou a Ressurreição e a Vida; quem crê em Mim, ainda que esteja morto, viverá; e todo aquele que vive e crê em Mim não morrerá jamais. Acreditas nisto?» (Jo 11,25-26). Eis a pergunta que Jesus repete a cada um de nós todas as vezes que a morte vem arrancar o tecido da vida e dos afetos! Toda a nossa existência se joga aqui, entre a vertente da fé e o precipício do medo. Que grande graça, se no momento da morte guardarmos no coração a pequena chama da fé que as velas acesas nos recordam. Então, Jesus guiar-nos-á pela mão.

- Precisamos de valorizar os gestos de acolhimento, de presença e de proximidade, de oração e de acompanhamento das pessoas, em situações de luto.

- Como estamos a comportarmo-nos nos velórios, Missa de Corpo Presente e nos funerais?  Sabemos acolher quem está a sofrer, sabendo que mais do que palavras são necessários os nossos afetos, a nossa presença amiga,  o nosso respeito pela dor de quem sofre?

- Participamos com respeito nos funerais ou fazemos deles um falatório? Somos caritativos, ajudando e participando ou temos vergonha de levar uma cruz, uma bandeira, uma lanterna?

- Já percebemos que a oração é o expoente máximo da caridade? O que de mais válido, fraterno e caritativo podemos oferecer por quem partiu é a nossa oração! Os nossos velórios são tantas vezes pagãos! Fala-se de tudo, daquilo que nada tem a ver com o momento, mas temos vergonha de rezar!

- Participamos na Missa de Corpo Presente ou ficamos cá fora? Mesmo quem não tem fé, por amizade e solidariedade para com os familiares do defunto, deve entrar e estar respeitosamente. Então, se se trata de um crente que fica cá fora , a atitude é inconcebível e  ofensiva. 

-  Aproveitamos a oportunidade dos velórios e funerais para pensar na nossa vida? Preocupamo-nos em ler a nossa vida à luz da morte? Tomamos consciência que desta vida só levamos o que damos e nunca o que temos?  Abrimos o nosso coração à oferta de salvação que Deus a todos oferece em Jesus Cristo?

- Como encaramos a morte de um ente querido? Com o desespero pagão ou com a luzinha da fé no coração? "Nos braços de Deus te deixamos..."

- Muita gente, quando se refere a uma pessoa falecida, costuma dizer: "Esteja onde estiver". É hoje socialmente correta esta expressão e de bom tom referi-la. Mas será cristã? Não será mais belo dizer, à luz da fé na Ressurreição "Confio que esteja em Deus"?

quarta-feira, 1 de novembro de 2017

2 de novembro - COMEMORAÇÃO DE FIÉIS DEFUNTOS 2017


1. Vivemos (ontem) a celebração de Todos os Santos, fixando os nossos olhos nestes nossos irmãos e irmãs, que nos fazem companhia ao longo do nosso caminho na Terra, e são testemunhas da nossa esperança no Céu. Agora (hoje) gostaria de pôr em confronto esta esperança cristã com a realidade da morte que a nossa civilização moderna tenta esconder ou descartar cada vez mais. Assim, quando a morte chega, seja para quem nos é próximo, seja para nós mesmos, não nos encontra preparados! Falta-nos hoje um “alfabeto” adequado para oferecer palavras reveladoras e decisivas, diante de alguém que nos morre.

2. Poderíamos mesmo dizer que o homem nasceu e se afirmou como tal, precisamente com o culto dos mortos. O homem morre como as outras criaturas, mas é a única criatura que sabe que vai morrer. Assim, a morte põe a nossa vida a nu. Faz-nos descobrir que as nossas ações de orgulho, ira e ódio são vaidade, pura vaidade. Apercebemo-nos, desapontados, que não amámos o suficiente e que não procurámos o que era essencial. E, pelo contrário, vemos, a partir da morte, o que de verdadeiramente de bom semeámos: os afetos pelos quais nos sacrificamos e que agora nos levam pela mão. Então, o pensamento da morte é princípio de sabedoria, daquela sabedoria do coração.

  3. Jesus iluminou o mistério da nossa morte. Ele ficou «profundamente» perturbado diante do túmulo do amigo Lázaro, e «desatou a chorar» (Jo 11,35). Nesta sua atitude, sentimos Jesus muito próximo, nosso irmão na dor, no luto. E vemo-l’O rezar ao Pai, fonte da vida, ordenando a Lázaro que saia do sepulcro. E assim acontece! A esperança cristã alimenta-se nesta atitude de Jesus contra a morte: mesmo estando presente na criação, a morte é uma cicatriz que deturpa o desígnio de amor de Deus e por isso o Salvador vem chamar-nos e resgatar-nos da morte para a Vida nova.

  4. Ao choro de Marta pela morte do irmão Lázaro, Jesus contrapõe a luz da fé e a esperança no amor mais forte do que a morte: «Eu sou a Ressurreição e a Vida; quem crê em Mim, ainda que esteja morto, viverá; e todo aquele que vive e crê em Mim não morrerá jamais. Acreditas nisto?» (Jo 11,25-26). Eis a pergunta que Jesus repete a cada um de nós todas as vezes que a morte vem arrancar o tecido da vida e dos afetos! Toda a nossa existência se joga aqui, entre a vertente da fé e o precipício do medo. Que grande graça, se no momento da morte guardarmos no coração a pequena chama da fé que as velas acesas nos recordam. Então, Jesus guiar-nos-á pela mão.

  5.  Precisamos de valorizar os gestos de acolhimento, de presença e de proximidade, de oração e de acompanhamento das pessoas, em situações de luto. A Igreja não pode alhear-se dos seus filhos, em situações tão dolorosas, como é esta, “quando a morte crava o seu aguilhão(cf. Misericordia et Misera, n.º 15; AL, n.os 253-258). Por isso, exorto a que animemos de maior espírito pascal as celebrações exequiais.

  6. Convido-vos, por fim, a fechar um pouco os olhos e a pensar no momento da nossa morte, em que Jesus virá para nos tomar pela mão, com a Sua ternura, a Sua mansidão, o Seu amor, e nos dirá: “Vem, vem comigo, levanta-te”. Deixemo-nos levar até Ele e elevar por Ele. Alcançaremos então a vida plena que esperávamos!  Esta é, pois, a nossa esperança, diante da morte. Para quem crê, é uma porta que se abre de par em par; para quem duvida, é uma brecha de luz que filtra por uma porta que não se fechou completamente. Mas será para todos nós uma graça, quando esta luz, do encontro com Jesus, nos iluminar por inteiro e contemplarmos a Deus face a face, exclamando como o salmista: “Na Tua Luz, Senhor, veremos a luz(Sl 36,9).
Amaro Gonçalo

segunda-feira, 30 de outubro de 2017

Nesta quarta-feira, Solenidade de Todos Os Santos


1. O mês de novembro é o mês da saudade, mas deve tornar-se para nós, cristãos, o mês da esperança! Por isso, antes ainda da comemoração de fiéis defuntos, que nos põe de olhos no chão, a liturgia deste belo dia de Todos-os-Santos atira-nos os olhos bem para cima.  Na verdade, somos pó, mas um pó que aspira ao céu. Por isso, somos desafiados a projetar a nossa esperança na contemplação, na imitação e na intercessão dos santos. A Carta aos Hebreus define esta companhia dos santos, que nos circundam, como uma «multidão de testemunhas» (Hb 12, 1). São testemunhas da nossa esperança, num mundo novo, que começa aqui e há de chegar um dia à sua plenitude, no novo mundo que há de vir. 

2. Por isso, os santos estão diante de nós e tão presentes à vida de cada um de nós. Lembremos que, no dia do nosso Batismo, ressoou para nós a invocação dos santos. Pouco antes da unção com o Óleo dos catecúmenos, símbolo da força de Deus na luta contra o mal, o ministro convida toda a assembleia a rezar por aqueles que estão prestes a receber o Batismo, invocando os santos! Desde o dia do nosso batismo, estamos, por assim dizer, em santa companhia, na companhia dos nossos irmãos e irmãs mais velhos, que passaram pelo nosso caminho, conheceram as mesmas dificuldades e vivem para sempre no abraço amoroso de Deus. Recordo, como momento particularmente emocionante no dia da minha ordenação, a prostração no chão, enquanto o coro cantava as ladainhas, invocando todos os santos e santas de Deus. Se por um lado me sentia esmagado sob o peso da missão que me era confiada, por outro lado, com a invocação dos santos, sentia que o Paraíso inteiro me protegia, e que, por isso, a graça de Deus não me havia de faltar. 

3. Assim, na companhia dos santos, nunca estamos sozinhos! A Igreja é composta por inúmeros irmãos e irmãs, muitas vezes anónimos, que partiram antes de nós, e que mediante a ação do Espírito Santo nos acompanham e assistem nas vicissitudes da nossa vida terrena. Por isso, nos momentos difíceis da vida, é preciso ter a coragem de elevar o olhar para o céu, pensando nos santos, que passaram através de tribulações ainda maiores e conservaram brancas as suas vestes batismais, lavando-as no sangue do Cordeiro (cf. Ap 7, 14).

4. Celebrar o dia de Todos-os-Santos ajuda-nos, pois, a esperar contra toda a esperança, na confiança de que Deus nunca nos abandonará. Cada vez que estivermos em grande necessidade, Ele enviará um dos seus anjos, para nos animar e infundir consolação. “Anjos” às vezes com um rosto e um coração humanos, porque os santos de Deus estão sempre aqui, escondidos no meio de nós e fazem parte do nosso caminho. Na verdade, é um mistério, mas os santos estão presentes na nossa vida. E quando alguém invoca um santo, do seu nome, da sua terra, da sua profissão, é precisamente porque ele está próximo.

5. Que o Senhor conceda a todos a esperança de sermos santos. Alguns poderão perguntar: “Padre, é possível ser santo na vida de todos os dias?” Sim, é possível. “Mas isto significa que devemos rezar o dia inteiro?” Não. Quer dizer apenas que tu deves cumprir o teu dever ao longo do dia: rezar, ir ao trabalho, educar e proteger os teus filhos. Mas para isso, é preciso fazer tudo, com o coração aberto a Deus, no trabalho, na doença e no sofrimento, no meio das dificuldades. Não pensemos que é mais fácil sermos delinquentes do que santos! Não. Podemos ser santos, porque o Senhor nos ajuda. É Ele que nos assiste. Ser santo é o grande presente que cada um de nós pode oferecer ao mundo, porque a nossa história tem necessidade de santos, de pessoas movidas pelo amor de Deus, capazes de viver, de sofrer e de morrer pelos outros. Sem estes homens e mulheres, o mundo não teria esperança. Por isso, faço votos para que vós — e também eu — recebamos do Senhor o grande dom e a esperança feliz de sermos santos, como Deus é Santo!
Amaro Gonçalo