quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

Oração para a Passagem de Ano

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Caminhada do Natal



Semana
Mensagem Evangélica
«Palavra
- chave»
Compromisso
Gesto
Dia
Mundial
da Paz
«Encontraram Maria, José e o Menino. E, depois de oito dias, deram-Lhe o nome de Jesus”
«VENCE A INDIFERENÇA E CONQUISTA A PAZ»
Durante estes dias, saudarei toda a gente, mesmo aqueles para quem não falo há muito tempo.
Procurarei aproximar duas pessoas que se não falam. Rezo a oração do Natal junto do Presépio

O XLIX Dia Mundial da Paz sob o signo do Jubileu da Misericórdia


Depois, de enunciar a verdade de que “Deus não é indiferente; importa-Lhe a humanidade! Deus não a abandona!”, Francisco, na sua mensagem para o Dia Mundial da Paz de 2016 (a um de janeiro), assinada no passado dia 8 de dezembro, 50.º aniversário do encerramento do Concílio Vaticano II, inauguração do Jubileu Extraordinário da Misericórdia e Solenidade da Imaculada Conceição de Maria, confia as suas reflexões sobre a paz à intercessão da “Mãe solícita pelas necessidades da humanidade”. Ela nos obterá “de seu Filho Jesus, Príncipe da Paz, a satisfação das nossas súplicas e a bênção do nosso compromisso diário por um mundo fraterno e solidário”.

E, na linha do imperativo “vence a indiferença e conquista a paz”, o Papa acalenta a esperança de que o novo ano nos veja “firme e confiadamente empenhados” na realização da justiça e no trabalho pela paz, a qual é simultaneamente “dom de Deus e trabalho dos homens”.

***

Depois, passa em revista várias temáticas pertinentes: conservação das razões da esperança; formas de indiferença; ameaça à paz pela indiferença globalizada; conversão do coração pela passagem da indiferença à misericórdia; fomento da cultura de solidariedade e de misericórdia; e a paz enquanto fruto dessa cultura.

Conservar as razões da esperança. Apesar de o ano de 2015 ter sido caraterizado por guerras e atos terroristas, com as “trágicas consequências” de sequestro de pessoas, perseguições por motivos étnicos ou religiosos, prevaricações, a ponto de o cenário “assumir os contornos” de “terceira guerra mundial por pedaços”, vários acontecimentos impelem “a não perder a esperança na capacidade que o homem tem, com a graça de Deus, de superar o mal, não se rendendo à resignação nem à indiferença”. De entre tais acontecimentos, destaca-se a Cop21, na procura de “novos caminhos para enfrentar as alterações climáticas e salvaguardar o bem-estar da terra, a nossa casa comum” – a que se juntam: a Cimeira de Adis-Abeba, “para arrecadação de fundos destinados ao desenvolvimento sustentável do mundo”; e “a adoção, por parte das Nações Unidas, da Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável”.

A nível eclesial, salienta-se o cinquentenário da publicação de dois documentos do Vaticano II conexos com o sentido de diálogo e de solidariedade da Igreja com o mundo – a Nostra Aetate e a Gaudium et Spes, “expressões emblemáticas da nova relação de diálogo, solidariedade e convivência que a Igreja pretendia introduzir no interior da humanidade”.

Sendo variadas “as razões para crer na capacidade que a humanidade tem de agir, conjunta e solidariamente”, apostando na interligação e interdependência e prestando atenção aos membros mais frágeis e à salvaguarda do bem comum, emerge a atitude de solidária corresponsabilidade, que está na raiz da vocação fundamental do homem à fraternidade e à vida comum.

Formas de indiferença. Do cariz comportamental do indivíduo indiferente, a postura da indiferença passou à dimensão global, gerando o fenómeno da “globalização da indiferença”.

Pela indiferença para com Deus, de que deriva a indiferença para com o próximo e a criação, o homem, julgando-se o autor de si mesmo, da sua vida e da vida da sociedade, sente-se autossuficiente e visa, ocupando o lugar de Deus, prescindir d’Ele. Já a indiferença para com o próximo assume diferentes fisionomias. Há quem encare a boa informação disponível “de maneira entorpecida, quase numa condição de rendição”, sem envolvimento nos dramas da humanidade ou atribuindo aos outros as culpas de tudo o que se passa. Outros manifestam a sua indiferença na “falta de atenção à realidade circundante, especialmente a mais distante”. Nestes casos e noutros similares, a indiferença provoca o fechamento e o desinteresse, acabando por contribuir para a falta de paz com Deus, com o próximo e com a criação.

A paz ameaçada pela indiferença globalizada. A indiferença para com Deus ultrapassa a esfera do individuo e afeta a “esfera pública e social”. Com efeito, sem abertura ao transcendente, o homem torna-se presa do relativismo e tem dificuldade em agir de acordo com a justiça e em se comprometer pela paz. A nível individual e comunitário, a indiferença para com os demais – “filha da indiferença para com Deus” – gera inércia e apatia e alimenta a persistência de situações de injustiça e desequilíbrio social, de que resultam os conflitos ou o clima de descontentamento “que ameaça desembocar (…) em violências e insegurança”. E, quando atinge o nível institucional, a indiferença pelo outro, sua dignidade, seus direitos fundamentais e sua liberdade, a par da cultura orientada para o lucro e hedonismo, favorece e justifica ações e políticas ameaçadoras da paz. Por sua vez, “a indiferença pelo ambiente natural, favorecendo o desflorestamento, a poluição e as catástrofes naturais que desenraízam comunidades inteiras do seu ambiente de vida, constrangendo-as à precariedade e à insegurança”, cria novas pobrezas e situações de injustiça de consequências desastrosas “em termos de segurança e paz social”.

Da indiferença à misericórdia: a conversão do coração.  

A indiferença induziu Caim a dizer que não sabia o que acontecera ao irmão, assegurando que “não é o seu guardião”. É-lhe indiferente o irmão, a sua vida e destino, apesar de ambos estarem ligados pela origem comum. Ao invés, Deus não é indiferente: o sangue de Abel tem valor a seus olhos e dele pede contas a Caim. Deus revela-Se, pois, “desde o início da humanidade, como Aquele que se interessa pelo destino do homem”. Tanto assim é que, ao ver os filhos de Israel na escravidão do Egito, intervém junto de Moisés: “Eu vi a opressão do meu povo no Egito e ouvi o seu clamor diante dos seus inspetores (…). Desci a fim de o libertar da mão dos egípcios e de o fazer subir desta terra para uma terra boa e espaçosa, para uma terra que mana leite e mel” (Ex 3,7-8). Deus, longe da indiferença, “observa, ouve, conhece, desce, liberta” – ou seja, delibera e age.

De igual modo, em seu Filho Jesus, “Deus desceu ao meio dos homens, encarnou e mostrou-Se solidário com a humanidade em tudo, exceto no pecado”. Jesus não se contentava em ensinar as multidões, mas preocupava-Se com elas, sobretudo quando as via famintas (cf Mc 6,34-44) ou sem trabalho (cf Mt 20,3). Na parábola do bom samaritano (cf Lc 10,29-37), censura a omissão de ajuda em necessidade urgente do semelhante e convida os ouvintes, e em especial os discípulos, a aprenderem a parar junto dos sofrimentos deste mundo para os aliviar, sem a procura de pretextos rituais e/ou ocupacionais.

A este respeito o Papa recorda que “a misericórdia é o coração de Deus”, pelo que “deve ser também o coração de todos aqueles que se reconhecem membros da única grande família dos seus filhos”. E, por conseguinte, “é determinante para a Igreja e para a credibilidade do seu anúncio que viva e testemunhe, ela mesma, a misericórdia”, na linguagem e nos gestos.

Fomento da cultura de solidariedade e misericórdia contra a indiferença. A solidariedade, configurando uma virtude moral e um comportamento social, que é fruto da conversão pessoal, “requer empenho por parte da multiplicidade de pessoas que detêm responsabilidades de caráter educativo e formativo”. Antes de mais, vêm as famílias, chamadas a uma missão educativa primária e imprescindível, as quais constituem “o primeiro lugar onde se vivem e transmitem os valores do amor e da fraternidade, da convivência e da partilha, da atenção e do cuidado pelo outro” e são “o espaço privilegiado para a transmissão da fé, a começar por aqueles primeiros gestos simples de devoção que as mães ensinam aos filhos”. Depois, vêm “os educadores e formadores, que têm a difícil tarefa de educar as crianças e os jovens, na escola ou nos vários centros de agregação infantil e juvenil”, que “devem estar cientes de que a sua responsabilidade envolve as dimensões moral, espiritual e social da pessoa”. E têm responsabilidades específicas também os agentes culturais e dos meios de comunicação social no atinente à educação e à formação, “especialmente na sociedade atual onde se vai difundindo cada vez mais o acesso a instrumentos de informação e comunicação” – pelo que devem, primeiro que tudo, “colocar-se ao serviço da verdade” e “vigiar por que seja sempre lícito, jurídica e moralmente, o modo como se obtêm e divulgam as informações”.

A paz, fruto da cultura de solidariedade, misericórdia e compaixão. Conscientes da ameaça da globalização da indiferença, não podemos deixar de reconhecer as “numerosas iniciativas e ações positivas que testemunham a compaixão, a misericórdia e a solidariedade de que o homem é capaz”. A título de exemplo, o Pontífice destaca:

- As “muitas organizações não-governamentais e grupos sociocaritativos, dentro da Igreja e fora dela, cujos membros, por ocasião de epidemias, calamidades ou conflitos armados, enfrentam fadigas e perigos para cuidar dos feridos e doentes e para sepultar os mortos”;
- As “pessoas e as associações que socorrem os emigrantes que atravessam desertos e sulcam mares à procura de melhores condições de vida”;
- Os “jornalistas e fotógrafos, que informam a opinião pública sobre as situações difíceis que interpelam as consciências”;
- Aqueles “que se comprometem na defesa dos direitos humanos, em particular os direitos das minorias étnicas e religiosas, dos povos indígenas, das mulheres e das crianças, e de quantos vivem em condições de maior vulnerabilidade”, entre os quais se contam “muitos sacerdotes e missionários que permanecem junto dos fiéis e os apoiam sem olhar a perigos e adversidades, em particular durante os conflitos armados”.
- As famílias que, “no meio de inúmeras dificuldades laborais e sociais, se esforçam concretamente, à custa de muitos sacrifícios, por educar os seus filhos a contracorrente nos valores da solidariedade, da compaixão e da fraternidade”; 
- As famílias, paróquias, comunidades religiosas, mosteiros e santuários “que abrem os seus corações e as suas casas a quem está necessitado, como os refugiados e os emigrantes”;
- Os “jovens que se unem para realizar projetos de solidariedade e todos aqueles que abrem as suas mãos para ajudar o próximo necessitado nas suas cidades, no seu país ou noutras regiões do mundo;
- E todos “aqueles que estão empenhados em ações deste género, mesmo sem gozar de publicidade: a sua fome e sede de justiça serão saciadas, a sua misericórdia far-lhes-á encontrar misericórdia e, como obreiros da paz, serão chamados filhos de Deus” (cf Mt 5,6-9).

***

Em suma:

No espírito do jubileu

O espírito do Jubileu levará cada um ao reconhecimento das manifestações da indiferença na sua vida e à adoção de um compromisso concreto para melhorar a sua realidade, “a começar pela própria família, a vizinhança ou o ambiente de trabalho”.

Por seu turno, os Estados são devedores de “gestos concretos, atos corajosos a bem das pessoas mais frágeis da sociedade”. Assim:

- Quanto aos reclusos, urge a adoção de medidas de melhoria da vida nas prisões, com maior atenção “aos que estão privados da liberdade à espera de julgamento” e com vista à “finalidade reabilitativa” da pena” e à inserção nas leis de penas alternativas ao encarceramento. Por outro lado, impõe-se a abolição da pena de morte e recomendam-se as amnistias possíveis.

- Em relação aos migrantes, o Papa convida os Estados a repensarem as leis sobre as migrações, com vista à hospitalidade, “no respeito pelos recíprocos deveres e responsabilidades”, e à integração dos migrantes. Nesta linha, dever-se-á prestar especial atenção às condições de concessão de residência aos migrantes, na convicção de que à clandestinidade vem inerente o risco da criminalidade.

- No atinente aos que sofrem pela falta de trabalho, terra e teto, “os líderes dos Estados” devem realizar “gestos concretos” em prol destes irmãos, de que ressalta “a criação de empregos dignos” para obviar à “chaga social do desemprego”, lesiva de “um grande número de famílias e de jovens” com gravíssimas consequências “no bom andamento da sociedade inteira”. Afeta gravemente “o sentido de dignidade e de esperança” a falta de trabalho, a qual só parcialmente é compensada pelos subsídios para os desempregados e suas famílias. Merecem atenção especial as mulheres – “ainda discriminadas, infelizmente, no campo laboral” – e algumas categorias de trabalhadores, em condições “precárias ou perigosas” e com salários não adequados “à importância da sua missão social”.

- No respeitante aos doentes, Francisco apela “à realização de ações eficazes” para a melhoria das suas condições de vida, “garantindo a todos o acesso aos cuidados sanitários e aos medicamentos indispensáveis para a vida”, incluindo o tratamento domiciliário.

- Quanto à atividade diplomática, os líderes dos Estados devem renovar as relações com os demais povos, facilitando a efetiva participação de todos no debate e decisão das grandes questões e gerando a inclusão na vida da comunidade internacional, “para que se realize a fraternidade também dentro da família das nações”. Neste sentido, o Papa formula um tríplice apelo:

. À abstenção “de arrastar os outros povos para conflitos ou guerras que destroem não só as suas riquezas materiais, culturais e sociais, mas também a sua integridade moral e espiritual”;

. Ao cancelamento ou gestão sustentável da dívida internacional dos Estados mais pobres; e

. À adoção de políticas de cooperação que, em vez da submissão à ditadura dalgumas ideologias, sejam respeitadoras dos valores das populações locais e, de maneira nenhuma, lesem o direito fundamental e inalienável dos nascituros à vida.

2015.12.29 – Louro de Carvalho

segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

Nunca acredite numa fé que não lhe mexa no bolso!

Neste ano de 2015, prestes a terminar, pergunte casa um a si próprio se cresceu na fé.
Tantas vezes que somos um corpo de adultos com uma fé infantil!
Nota-se a religiosidade. Mas será que há fé?
Somos cristãos de festas, procissões, batismos, casamentos, funerais festas da catequese....
Queremos uma religiosidade que satisfaça as nossas tradições, os nossos caprichos, as nossas manias, o nosso sentimentalismo, as nossas conveniências...
Mas será que queremos Cristo?


Queremos uma religiosidade que não nos exija.  Sem conversão, sem generosidade, sem Evangelho, sem exigências, sem Igreja, sem compromisso...
O Evangelho deixou de ser a medida das nossas vidas, querendo cada  um Evangelho adaptado às suas conveniências.
Rezamos "Pai seja feita a Vossa vontade assim na terra como no céu", mas o que realmente desejamos é que o Pai faça as nossas vontades.
Queremos a Missa como adorno das  festas e momentos importantes da nossa vida individual e/ou associativa, mas desprezamo-la como festa da família de Deus, como celebração comunitária dominical da Morte e Ressurreição de Cristo.
Queremos o batismo para os filhos, mas  vivemos como pagãos.
Exigimos funerais católicos e Misas de 7º dia para pessoas que, em vida, nunca quiseram saber do caminho para a Igreja.
Pedimos tudo à Igreja, mas nunca temos tempo para dar à Igreja.
Vamos a Fátima a pé, mas em seguida votamos favoravelmente no referendo sobre o aborto.
Declaramo-nos cristãos mas ficamos indiferentes perante a aprovação de leis que violam descaradamente os valores do Evangelho.
Dizemo-nos católicos, mas a fé fica na gaveta quando estamos nas associações, na políticas, em cargos de responsabilidade.
Acreditamos no Deus do amor, mas ficamos indiferentes perante o sofrimento, a pobreza e o abandono de tantas pessoas.
Dizemo-nos irmãos e fechamos o coração perante tanta necessidade do bem comum e dos irmãos. Nunca acredite numa fé que não lhe mexa no bolso!
Dizemos ter fé, mas desprezamos os Mandamentos da Lei de Deus que não nos convêm.
Todo o batizado é Igreja. Mas só sabemos criticar a Igreja, esquecendo que também nos estamos a criticar a nós mesmos. Os pecados da Igreja são os pecados de cada batizado.
Revoltamo-nos quando o projeto de Deus é diferente do nosso, mas exigimos misericórdia de Deus para os nossos desvarios e tonterias.
Somos capazes de dar horas a um espetáculo musical, a um filme, a uma partida desportiva, mas enfadamo-nos diante de um encontro de formação, de celebração, de oração...
Somos capazes de dizer "Pai, perdoai-nos as nossas ofensas assim como nós perdoamos" e logo a seguir continuarmos sem falar para um familiar ou um vizinho.


A  FÉ NÃO É COMO UMA ROUPA QUE SE TIRA E COLOCA CONFORME OS GOSTOS E AS SITUAÇÕES...
A Fé é o ADN da nossa vida.

sábado, 26 de dezembro de 2015

Concerto de Natal na Igreja Matriz de Tarouca

Com Valdemar Pereira, Arautos da Alegria e outras pessoas




Perante um grupo assinalável de pessoas, teve lugar este Concerto de Natal. O público apreciou a intervenção dos artistas  a quem felicitamos.
Foi um belo momento de Natal, onde a alegria, a serenidade e a elevação das músicas contribuiu para a vivência desta época natalícia. Afinal Deus visitou o seu povo para o salvar. É mais do que motivo para a glória, o agradecimento, o louvor, a alegria.

sexta-feira, 25 de dezembro de 2015

27 de dezembro - Festa da Sagrada Família - Ano C

Leituras: aqui

Caminhada do Natal 2015





Semana
Mensagem Evangélica
«Palavra - chave»
Compromisso
Gesto
Sagrada Família
Jesus é encontrado por seus pais no meio dos doutores
AMOR
Vou pôr a família acima da TV, do computador, do café, do negócio...
Vou dizer a cada membro da minha família que o amo.  Rezo a oração do Natal junto do Presépio


quinta-feira, 24 de dezembro de 2015

“Façamos da misericórdia o nosso presente de Natal!”


No Ano da Misericórdia, a festa do Natal “evoca o amor misericordioso de Deus para com a humanidade e que por Jesus Cristo se manifestou em toda a sua plenitude”.
Foi “pela encarnação do Verbo”que “a misericórdia adquiriu maior densidade e visibilidade”, já que apareceu com um rosto humano.
“Em Jesus, Deus experimentou a vida do homem por dentro: amou com amor humano, sofreu com dor humana, chorou lágrimas humanas e viu a vida com olhos humanos. Até então, Deus tinha visto o homem de fora e passou a vê-lo de dentro”.
 “A encarnação foi a maior manifestação da misericórdia de Deus e concretizou-se pelas palavras, pelos gestos e por toda a vida de Jesus” que, na sua condição de pobre e perseguido, “viveu como emigrante, ouviu o grito dos que sofriam, acolheu os pecadores, conviveu com os fariseus, foi ao encontro das situações de pobreza e de pecado e nunca voltou a cara a ninguém. Nele revelou-se a misericórdia divina com rosto humano”.
Dias depois do começo do Jubileu da Misericórdia e na celebração de mais um Natal, “os discípulos de Jesus também são convidados a dar rosto à misericórdia, pelas palavras, pelos gestos e pela vida, saindo da sua zona de conforto para as periferias geográficas e existenciais, como pede o Papa Francisco”.
 “Encarnemos na nossa vida alguma das situações que precisam de ser redimidas” com disponibilidade interior “para ouvir uma voz incómoda, silenciar um grito de revolta, baixar a voz de protesto, estender a mão ao necessitado, oferecer tempo, compaixão e perdão ao semelhante, abrir a porta do coração ao desamparado, ir ao encontro dos afastados”.
Há situações “perto de nós, que esperam por um gesto de misericórdia”, que “oferecida ao nosso semelhante será, com certeza, a melhor forma de anunciar o amor de Deus revelado em Jesus Cristo, nascido de Virgem Maria, na gruta de Belém".
 “Façamos da misericórdia o nosso presente de Natal!”

quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

DEUS É NATAL


Num tempo de tanto mal,
Eu grito que Deus é Natal!...


Num mundo de tanta discórdia,
Eu grito que Deus é misericórdia!


Num mundo que peca tanto,
grito que Deus é santo!


A um mundo tão egoísta,
Eu grito que Deus é altruísta!


Num tempo de pessimismo,
Eu grito que Deus é otimismo!


A um mundo sem Deus,
Eu grito que todos são filhos Seus!

terça-feira, 22 de dezembro de 2015

MENSAGEM DE NATAL 2015, de D. ANTÓNIO COUTO

0172

ENCANDEADOS POR JESUS

Neste Natal vai até Belém
Vence o mal com o bem
Na tua história
Entrará o Rei da glória
Não deixes ir embora
O único rei que não reina desde fora.
  1. No Livro de Isaías 42,1-4, perícope conhecida como «Primeiro Canto do Servo», Deus apresenta o seu Servo com um conjunto de notas de singular mansidão, de que realço, em 42,2: «Não fará ouvir desde fora a sua voz». Comentando este passo em Difficile liberté. Essais sur le judaïsme, Emmanuel Levinas, com a sua habitual argúcia e finura, diz do Messias que «é o único rei que não reina desde fora». Entenda-se: não empunha a espada, não impõe a força, não lança impostos, não age por decreto. Traz consigo um domínio novo, que se insinua mansamente e sana a nossa velha e estafada humanidade desde dentro, desde o coração.
  1. É nesse novo coração iluminado que se acende a música dos anjos nos campos de Belém. Atónitos, os pastores decantam essa luz e trauteiam essa música. É assim, em bicos de pés e cântaros de luz, pássaros de dança e música estelar, que vão até Belém. Encontram o amor que os embalava. Levam-no de volta para os campos. Os pesados guardas, se bem que interpelados, nada entendem (cf. Cântico dos Cânticos 3,3-4; 5,7). Ídolos metalizados. Insensíveis. Inúteis. Nenhuma música inebria as estátuas de alegria.
  1. O Natal é intransitivo. O mapa desenrola-se por dentro. Alta tensão, toda a atenção no coração. Só o Amor pode dissolver este nevão. Só o Bem pode vencer o mal (cf. Romanos 12,21). O Bem não combate. Se combatesse, já não seria Bem. Seria mal. Mais mal, portanto, adviria. Só o Bem pode vencer, sem combater, este combate. Só o Amor. O Amor ama também o mal. É aí que o vence.
  1. Entremos por aí. Escreveu recentemente o Cardeal Karl Lehmann, Arcebispo de Mogúncia (Mainz), em Carta Pastoral à sua Diocese, por ocasião dos 1250 anos da morte de São Bonifácio, Apóstolo da Alemanha: «Tornámo-nos um mundo velho. Deixámo-nos vencer pelo cansaço […]. É necessário um radical revigoramento missionário da nossa Igreja. Não se trata apenas de reformar as estruturas. É preciso começar por cada um de nós. Se não estivermos entusiasmados pela profundidade e pela beleza da nossa fé, não podemos verdadeiramente transmiti-la nem aos vizinhos nem aos filhos nem às gerações futuras. […] É necessário também ganhar outras pessoas para a nossa fé cristã e arrastar os cristãos que cederam ao cansaço ou que até abandonaram a Igreja […]. Devemos difundir verdadeiramente o Evangelho de casa em casa, de coração a coração».
  1. Nesta Carta Pastoral, o Cardeal Lehmann traça um quadro realista de uma Igreja que parece envelhecida e cansada, mas aponta também, com mestria e clarividência, as coordenadas que devem moldar o rumo do futuro: não basta reformar por fora estruturas e edifícios; é preciso reformar por dentro, mudar o coração, acendê-lo com a luz nova de Cristo e do seu Evangelho. É preciso conversão pessoal e pastoral. É preciso Natal.
  1. E Quem é o Natal? É um imenso caudal de luz e de alegria, hemorragia de Jesus. Há quem pense amansá-lo e enlatá-lo, domesticá-lo, e depois tomá-lo em pequenos comprimidos, mais ou menos à razão de um por dia. Mas o Natal não se pode comprá-lo ou aviá-lo por receita. Nem cumprimentá-lo, quer com a mão esquerda quer com a direita. O Natal não tem regra ou etiqueta. Não se pode semeá-lo na jeira ali ao lado. Não se pode trocá-lo por qualquer bugiganga à venda no mercado. Este vendaval, que se chama Natal, só podemos deixá-lo entrar por nós adentro aos borbotões, até que rebentem os portões, e caiam um a um todos os botões. Também o mofo e o verdete que há nos corações serão levados na torrente, e também tudo o que apenas é corrente, banal ou indiferente.
  1. O Natal é Jesus. Por isso também, meu irmão de Dezembro, vai até Belém. Põe-te a caminho da Paz e do Carinho. Experimenta abrir o coração à Concórdia. Abraça a Misericórdia. Celebra agora o nascimento do único Rei que não reina desde fora.
  1. Desejo a todos os meus irmãos, sacerdotes, diáconos, consagrados/as e fiéis leigos, doentes, idosos, jovens e crianças das 223 Paróquias da nossa Diocese de Lamego, e da Igreja inteira, um Santo Natal com Jesus sempre no meio e um Novo Ano cheio de Misericórdia. Portanto, caríssimos irmãos e irmãs, «Ide, e fazei da Casa de meu Pai Casa de Oração e de Misericórdia»!
Vem, Senhor Jesus. Bate à nossa porta. Encandeia a nossa vida.

Lamego, 20 de dezembro de 2015, IV Domingo do Advento
+ António, vosso bispo e irmão

Boas Festas, caro(a) visitante!


sábado, 19 de dezembro de 2015

*10 milhões de estrelas - Um gesto pela Paz *


Na noite de Natal acenda a sua velinha da paz! Coloque-a à janela de sua casa!

Mais uma vez os Arautos da Alegria associam-se a esta causa e estaremos a vender velinhas nas missas de Domingo em Teixelo e Tarouca.

Durante a semana, de 2ª a 4ª feira, da parte da tarde, pode encontrar e adquirir uma "velinha da paz" na Igreja Paroquial de Tarouca.

Caminhada do Advento - 4ª semana



Semana
Mensagem Evangélica
«Palavra- - chave»

Compromisso

Gesto

 4ª Semana

«Donde me é dado que venha ter comigo a Mãe do meu Senhor?»


Rogar a Deus por vivos e defuntos, tendo em conta os que não creem, não adoram, não esperam e não amam a Deus.

Junto da Imagem do Menino Jesus , colocarei a palavra-chave, acenderei uma  vela e rezarei a oração do Advento  em família.

sexta-feira, 18 de dezembro de 2015

Inédito. Papa abre “porta santa da caridade” num albergue para pobres

É mais uma novidade do Papa Francisco. Pela primeira vez num Jubileu, as “portas santas” não são só nas igrejas ou santuários, como é habitual, mas também em estruturas de acolhimento para os mais desfavorecidos.
Francisco autorizou que, em certos locais, sobretudo em contextos de sofrimento, possa haver uma “porta santa” para ajudar a tomar consciência do pecado, do perdão e da misericórdia.

Francisco abre “Porta Santa da Caridade” no albergue da Cáritas romana / Foto: Reprodução CTV

Jesus está na humildade, reiterou o Papa Francisco nesta sexta-feira, 18, ao abrir a “Porta Santa da Caridade” em um albergue da Cáritas em Roma, onde também celebrou a Santa Missa.
Fica aberta a todos os peregrinos com os mesmos privilégios e condições para indulgência plenária como a da Basílica de São Pedro ou de qualquer outra igreja.
Na homilia, Francisco lembrou que Deus vem trazer a salvação e, ao enviar o Seu Filho, não escolheu o luxo, não quis por mãe uma princesa, mas fez tudo muito simples, praticamente escondido. “Assim é Deus entre nós. Se você quer encontrar Deus, procure-O na humildade, procure-O na pobreza, procure-O onde Ele está escondido, nos necessitados, nos mais necessitados, nos doentes, nos famintos, nos presos”.
“O amor de Jesus é grande, por isso, ao abrir essa Porta Santa, eu gostaria que o Espírito Santo abrisse o coração de todos os romanos e os fizesse ver qual é o caminho da salvação. Não há luxo, não há o caminho das grandes riquezas, não há o caminho do poder, mas o caminho da humildade”, afirmou.
Ao abrir a Porta Santa no albergue, Francisco fez dois pedidos: que também sejam abertas as portas do coração das pessoas e que elas entendam que o caminho da vaidade e do orgulho não são caminhos de salvação. Para aproximar-se dessas graças concedidas por Deus, finalizou, é preciso aproximar-se justamente dos descartados pela sociedade.
A cerimônia presidida pelo Santo Padre hoje foi o primeiro dos gestos simbólicos que Francisco deve realizar às sextas-feiras durante o Jubileu da Misericórdia.
Fonte: aqui





Madre Teresa de Calcutá vai ser canonizada


O Papa Francisco vai proclamar como santa a Madre Teresa de Calcutá (1910-1997), depois de ter aprovado um milagre atribuído à intercessão da beata, anunciou a sala de imprensa da Santa Sé.
A data para a cerimónia de canonização da vencedora do Prémio Nobel da Paz em 1979 vai ser decidida num próximo consistório (reunião de cardeais) ordinário para votar esta e outras causas.
A sala de imprensa da Santa Sé revela que o Papa aprovou este segundo milagre e autorizou a publicação do decreto na tarde desta quinta-feira, dia em que celebrava o seu 79.º aniversário natalício.
A Congregação para a Causa dos Santos (santa Sé) concluiu em julho deste ano as investigações sobre a cura miraculosa de um homem brasileiro, de 35 anos, afetado por uma grave doença no cérebro, que se curou de uma  forma tida como inexplicável.
Francisco tem citado por diversas vezes a figura da Madre Teresa, que "no silêncio soube escutar e fez muito"; a 19 de novembro, durante a homilia matinal, contrapôs os traficantes de armas aos “trabalhadores da paz”, que dão a sua vida para ajudar uma pessoa que seja, como a Beata Teresa de Calcutá.
Já em setembro, recordando o aniversário da morte da futura santa, Francisco observou que o exemplo de vida desta religiosa mostra que “a misericórdia de Deus é reconhecida” nas obras de cada um.
Ganxhe Bojaxhiu, a Madre Teresa, nasceu em Skopje (Macedónia), pequena cidade com cerca de vinte mil habitantes então sob domínio otomano, a 26 de agosto de 1910, no seio de uma família católica que pertencia à minoria albanesa, no sul da antiga Jugoslávia.
A 25 de dezembro de 1928 partiu de Skopje rumo a Rathfarnham, na Irlanda, onde se situa a Casa Geral do Instituto da Beata Virgem Maria, para abraçar a Vida Religiosa, com o ideal de ser missionária na Índia.
Acabou depois por embarcar rumo a Bengala, passando por Calcutá até Dajeerling, numa casa da Congregação fundada pela missionária Mary Ward, onde escolheu o nome de Teresa.
Madre Teresa absorveu o estilo de vida bengali e, posteriormente, transmitiu-o às suas religiosas, quando fundou as Missionárias da Caridade.
O seu trabalho nas ruas de Calcutá centrou-se nos pobres da cidade que morriam todas as noites, vestida com um sari branco, debruado de azul, a imagem com que o mundo se habituou a vê-la.
Rapidamente as Missionárias da Caridade chegaram a milhares de religiosas em 95 países.
Quando visitou a Índia, em 1964, Paulo VI recebeu pessoalmente Madre Teresa e 22 anos depois João Paulo II incluiu, no programa da viagem apostólica àquele país, uma visita à «Nirmal Hidray» - a “Casa do Coração Puro” – fundada pela religiosa e conhecida, em Calcutá, como a “Casa do Moribundo”.
A futura santa esteve três vezes em Portugal, a acompanhar os primeiros passos da Congregação das Missionárias da Caridade.
A religiosa faleceu a 5 de setembro de 1997, na casa geral da congregação que fundou, em Calcutá, aos 87 anos de idade.
Foi beatificada por João Paulo II a 19 de outubro de 2003, depois de o Papa polaco ter autorizado que o processo decorresse sem esperar pelos cinco anos após a morte exigidos pela lei canónica.
In agência ecclesia

quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

Papa celebra hoje o seu 79.º aniversário. Parabéns, Papa Francisco!


O Papa celebra hoje o seu 79.º aniversário, num dia que começa com a habitual Missa diária às 07h00 de Roma (menos uma em Lisboa) e prossegue com a habitual agenda de encontros.
Esta manhã, o Papa Francisco para além da audiência aos embaixadores da Guiné, Letónia, Índia e Bahrein, para apresentação de credenciais, recebeu também cerca de 60 crianças e jovens da Ação Católica Italiana, para as felicitações de Natal.
A celebração, no entanto, começou já esta quarta-feira, no final da audiência pública semanal, com os fiéis reunidos na Praça de São Pedro a cantar os "parabéns"; Francisco recebeu ainda um bolo especial, em forma de "sombrero", oferecida por uma jornalista em nome do povo mexicano, que o aguarda na visita marcada para fevereiro de 2016.
Jorge Mario Bergoglio nasceu em Buenos Aires, capital da Argentina, a 17 de dezembro de 1936, filho de emigrantes italianos, e trabalhou como técnico químico antes de se decidir pelo sacerdócio, no seio da Companhia de Jesus, licenciando-se em filosofia antes do curso teológico.
Ordenado padre a 13 de dezembro de 1969, foi responsável pela formação dos novos jesuítas e depois provincial dos religiosos na Argentina (1973-1979).
João Paulo II nomeou-o bispo auxiliar de Buenos Aires em 1992 e foi ordenado bispo a 27 de junho desse ano, assumindo a liderança da diocese a 28 de fevereiro de 1998, após a morte do cardeal Antonio Quarracino.
O primaz da Argentina seria criado cardeal pelo Papa polaco a 21 de fevereiro de 2001, ano no qual foi relator da 10ª assembleia do Sínodo dos Bispos.
Tem como lema "Miserando atque eligendo", frase que evoca uma passagem do Evangelho segundo São Mateus: "Olhou-o com misericórdia e escolheu-o."
O cardeal Jorge Mario Bergoglio seria eleito como sucessor de Bento XVI a 13 de março de 2013, após a renúncia do agora Papa emérito; assumiu o inédito nome de Francisco, é o primeiro Papa jesuíta na história da Igreja e também o primeiro pontífice sul-americano.
Em 32 meses, o Papa argentino visitou o Brasil, Jordânia, Israel, Palestina, Coreia do Sul, Turquia, Sri Lanka, Filipinas, Equador, Bolívia, Paraguai, Cuba e Estados Unidos da América, Quénia, Uganda e República Centro-Africana, bem como as cidades de Estrasburgo (França), onde passou pelo Parlamento Europeu e o Conselho da Europa, Tirana (Albânia) e Sarajevo (Bósnia-Herzegovina).
Realizou também dez viagens em Itália, incluindo uma passagem pela ilha de Lampedusa e uma homenagem no centenário no início da I Guerra Mundial, para além de outras visitas a paróquias na Diocese de Roma.
As Filipinas acolheram a 18 de janeiro a maior celebração do atual pontificado, junto ao estádio -Quirino Grandstand-, na área do Parque Rizal, com seis milhões de participantes, o que representa um recorde na história da Igreja Católica.
Entre os principais documentos do atual pontificado estão as encíclicas 'Laudato si', dedicada a questões ecológicas, a 'Lumen Fidei' (A luz da Fé), que recolhe reflexões de Bento XVI, e a exortação apostólica 'Evangelii Gaudium' (A alegria do Evangelho).
O Papa promoveu um Sínodo sobre a Família, em duas sessões, com consultas alargadas às comunidades católicas, e deu início ao Jubileu da Misericórdia, terceiro ano santo extraordinário na história da Igreja Católica, 50 anos depois do encerramento do Concílio Vaticano II.
In agência ecclesia

quarta-feira, 16 de dezembro de 2015

4º Domingo do Tempo do Advento - Ano C


Leituras: aqui


QUE ESTÁS A FAZER?

Um viajante aproximou-se de um grupo de canteiros a trabalharem na pedra e perguntou ao primeiro:
- Que estás a fazer?
- É como vê; a suar como um animal, à espera que cheguem as sete horas para me safar daqui e ir para casa.
Perguntou ao segundo
- E tu que fazes?
- Eu estou a ganhar o pão para mim e para os meus filhos.
Perguntou finalmente ao terceiro:
- E Tu?
- Eu estou a construir uma Catedral. 

Comentário

Os três faziam aparentemente a mesma coisa: picar pedra. Mas cada qual com um espírito diferente.
Os cristãos no mundo, embora façam as mesmas coisas que os outros (estudar, trabalhar, conviver…) dão-lhe uma nova dimensão, um novo sentido, uma nova cor.

Sentem-se colaboradores de Deus na construção do Seu Reino. Jesus veio para iniciar esse reino de Deus na terra. E há-de vir uma segunda vez. Desconhecemos o dia e a hora.

O que é uma indulgência?


As indulgências têm sido alvo de polémica e de incompreensão na Igreja há séculos, mas a sua prática nunca foi abandonada.
Segundo o ensinamento cristão, um pecado tem dois efeitos para quem o pratica. Por um lado a pessoa fica com culpa por aquilo que fez, por outro lado o acto cometido deixa uma marca, ou uma mancha, na alma do fiel.
Enquanto a confissão absolve o penitente da culpa dos seus pecados, essas marcas, ou manchas, permanecem. Por analogia, pode-se imaginar uma criança que por distracção suja uma camisa nova que os pais lhe deram. A criança pede desculpa por aquilo que fez e os pais perdoam-lhe essa culpa, mas a mancha na camisa não desaparece com esse perdão, permanecendo como marca física do acto cometido.
Quando uma pessoa morre, essas manchas na alma devem ser eliminadas, ou purificadas, antes de o fiel se poder apresentar diante de Deus. Na doutrina católica é para isso que serve o purgatório, um local que não é de castigo mas de purificação, deixando a alma em estado de graça para poder gozar da presença de Deus.
Numa carta, o autor C.S. Lewis (que era evangélico e não católico), escreveu o seguinte:
“As nossas almas exigem o purgatório, não? Não seria terrível se Deus nos dissesse: ‘É verdade, meu filho, que o teu hálito tresanda e as roupas pingam com lama e sujidade, mas aqui somos caridosos e por isso ninguém te vai chatear com isso. Entra na alegria’? Não deveríamos responder, ‘Com submissão, Senhor, e se não houver nada em contrário, preferia limpar-me primeiro.’ ‘Sabes que isso pode doer’, ‘Ainda assim, Senhor’”.
Ora, as indulgências permitem precisamente fazer esta “purificação” da alma ainda em vida, pelo que, em rigor, se alguém recebesse indulgências plenárias e morresse no instante a seguir iria directamente para o Céu, não precisando de se purificar no purgatório. As indulgências podem, ainda, ser recebidas em nome próprio ou para benefício de outro, incluindo alguém que já tenha morrido.
Para receber indulgências, uma pessoa deve estar confessada e precisa ainda de comungar e rezar em comunhão com o Papa, pelas suas intenções. Caso não se tenha confessado antes de completar a sua peregrinação, o fiel pode fazê-lo nos dias seguintes.
A grande polémica em torno das indulgências, que foi um dos muitos factores que contribuiu para o grande cisma do ocidente e a criação das igrejas protestantes, era a concessão de indulgências a troco de dinheiro. Essa prática constituía um abuso do conceito e o Concílio de Trento teve a preocupação de a combater, mantendo todavia inteira a teologia das indulgências.
Fonte: aqui